Perfura pulmão do companheiro mas diz que não o queria matar

“Era mesmo só para o assustar”, assegurou, perante a Justiça.

A mulher de 34 anos que começou esta terça-feira a ser julgada pelo Tribunal Judicial de Leiria por homicídio na forma tentada disse ao coletivo de juízes que, quando esfaqueou o ex-companheiro, não tinha intenção de o matar.

“Era mesmo só para o assustar. Não o queria matar. Era para não me bater mais”, adiantou a mulher ao coletivo de juízes.

A acusada, detida em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Tires, afirmou ainda estar arrependida dos seus atos praticados em Amor, Leiria: “Só quero pedir desculpas ao ofendido”.

Referindo que vivia com a vítima “há poucos meses” e que no dia 26 de agosto de 2016 foi para o café, onde bebeu whisky, a mulher admitiu que estava “embriagada”. “Estivemos a discutir. Ele deu-me um estalo porque lhe tirei a chave para ele não sair com o carro. Ele também tinha bebido e era para o bem dele”.

Mais tarde, acabou por tirar uma faca de dentro da gaveta da cozinha e espetou-a no peito do ex-companheiro. “Quando lhe espetei a faca, não tive noção onde tinha espetado, mas quando o vi no chão, vi que tinha sido ao lado do coração. Na altura, não estava bem, estava alcoolizada”, sublinhou, revelando que o ex-companheiro já lhe tinha batido antes.

A irmã da acusada e o ex-companheiro, que foi vítima da facada, recusaram prestar declarações.

Nas alegações finais, o procurador do Ministério Público considerou que ficou provado que houve uma discussão e que quando a vítima começou a arrumar as coisas da mulher e as colocou no carro para a levar embora, ela “não aceitou bem, pois não tinha um local para onde ir”.

Também ficou provado que a vítima “quis sair de casa e ela impediu-o por estar embriagado, pelo que este lhe deu uma chapada na cara”.

“Provou-se que ela regressou à cozinha e, de costas para a gaveta, tirou uma faca, que escondeu. Por isso, a vítima nem teve tempo de se defender”, disse o procurador.

Para o Ministério Público, a acusada “soube onde ia espetar a faca e sabia que o poderia ter morto”. Sem especificar o número de anos que a arguida deve ser condenada, o procurador considerou que o coletivo deve levar em conta o “enquadramento dos factos”, que aconteceram “após ingestão de bebidas alcoólicas” e as agressões de que a mulher já antes tinha sido alvo.

“Essas circunstâncias devem ser valoradas”, embora “nada justifica os factos”.

O advogado da arguida, Ricardo Galo, salientou o facto de a vítima não ter querido prestar declarações, adiantando que se não se tratasse de um crime público o homem “teria desistido da queixa”.

O jurista lembrou ainda que a arguida “colaborou com a justiça”, pelo que o tribunal deve “condenar à pena mínima”.

A leitura da sentença está marcada para o dia 07 de fevereiro, pelas 09h30.

Fonte: in site Sábado | Correio da Manhã
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