Genealogia e Inquisição. Introdução

Os registos paroquiais – batismos, casamentos e óbitos – produzidos na paróquia de Amor foram, juntamente com outra documentação, destruídos durante as Invasões Francesas, perdendo-se para sempre o rasto à genealogia de toda uma freguesia.

Sem eles é praticamente impossível saber quem terá percorrido e habitado esta região, de onde seriam, do que viviam. Existem, no entanto, resquícios de outra documentação que pode nos abrir pequenas janelas sobre eventos ou personalidades amorenses.

Um desses exemplos, são as habilitações de genere que eram realizadas a todas as pessoas que voluntariamente se candidatavam a pertencer ao Tribunal do Santo Ofício, conhecido vulgarmente por “Inquisição”.

Pertencer ao Tribunal era, até ao século XIX, visto como um meio de ascensão social, pelo que todos os processos se originavam em candidaturas voluntárias. Sim, as pessoas voluntariavam-se para pertencer à Inquisição.

Mais. Para serem aceites como “familiares” tinham de provar a sua “limpeza de sangue”. Ou seja, que nem eles, nem os seus pais, avós ou ascendentes tinham sangue judeu, mouro ou “nação infesta” (protestante, africano, asiático, tudo o que não fosse um país católico), nem tido filhos ilegítimos ou cometido crimes. De modo a comprovar tudo isto, eram feitas “inquirições” nas freguesias de onde estes eram originários. Um padre pertencente ao Santo Ofício deslocava-se especialmente até à dita freguesia e fazia uma série de perguntas pré-definidas a um número elevado de testemunhas, geralmente pessoas mais idosas, que pudessem falar sobre a pessoa investigada, mas também sobre os seus antepassados. Por vezes, bastava uma das testemunhas referir uma história, um boato, algo que ouvira 50/60 atrás para a pessoa não ser aceite.

Pior, todo este processo era pago pelo requerente, pelo candidato, tendo de pagar as deslocações, as entrevistas, tudo. Se por acaso o habilitando fosse natural da mesma freguesia onde tinham nascido os seus pais e avós, estas pesquisas apenas seriam realizadas nessa. Mas se os pais fossem de freguesias diferentes, e os avós de outras ainda, todo este processo se repetia em cada freguesia de onde havia antepassados, aumentando a conta.

Comprovada a limpeza de sangue e a capacidade do habilitando a exercer, era aceite, mas nem aí acabavam as obrigações. Sendo que a maioria ingressava solteiro, de modo a puder dar um pulo social ainda novo, tinha de obter autorização do Santo Ofício para casar. Para tal, eram realizadas novas inquirições, igualmente especificas e dispendiosas sobre a noiva e os seus ascendentes, não estando garantida, antes de começar o processo, nem a “limpeza” da nubente nem a autorização para casar.

É com base nos relatos das testemunhas e das descobertas documentais que se podem propor biografias possíveis de alguns amorenses, visto não existirem praticamente mais registos anteriores a 1811.

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